Fala-se hoje falsamente em nome da laicidade
Cristo ensinou "dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus", isto é, o Estado e a Igreja têm atividades diferentes e devem atuar conjuntamente para o bem do povo. O Estado é laico, quer dizer, não professa uma religião específica, mas deve incentivar o valor religioso, que faz parte da grandeza e da dignidade do homem.
Laicidade, corretamente entendida, significa que o Estado deve proteger amplamente a liberdade religiosa tanto em sua dimensão pessoal como social, e não impor, por meio de leis e decretos, nenhuma verdade especificamente religiosa ou filosófica, mas elaborar as leis com base nas verdades morais naturais. O fundamento do direito à liberdade religiosa se encontra na própria dignidade da pessoa humana.
Infelizmente, mesmo em países de profundas raízes cristãs, como a Espanha, este laicismo radical e anticristão é notado com clareza. Um Estado que tenta impedir a vivência religiosa do povo, especialmente o Cristianismo, com uma ação hostil ao fenômeno religioso e a tentativa de encerrá-lo unicamente na esfera privada.
Tenta-se, assim, eliminar os símbolos religiosos mais tradicionais do povo, como que lhe arrancando as raízes. Ora, retirar, por exemplo, o crucifixo de nossos locais públicos, equivale a eliminar a nossa tradição cristã ocidental. Esse sinal sagrado é para nós o que há de mais importante, significa o respeito ao ser humano, a defesa da justiça, da honra, da caridade, da bondade, da pureza, da verdade, do amor. Quem pode ser contra isso? Que filosofia pode ir contra isso?
Como disse um dos personagens de Dostoiévski, em "Irmãos Karamazóvi": "Se Deus não existe, tudo é permitido". Se Deus não existe, então, eu sou deus; essa é a mentalidade laicista que se pretende impor mesmo aos cristãos, baseados numa falsa concepção de que Deus não existe e de que não se pode provar a existência d'Ele.
O Vaticano já chamou de "cristianofobia" a aversão ao Cristianismo, tanto no Ocidente quanto no Oriente. Esta expressão foi introduzida pela primeira vez no ano 2003 em uma resolução do Terceiro Comitê da 58ª Assembléia Geral da ONU, e que compreende os atos de violência e perseguição, intolerância e discriminação contra os cristãos, ou uma educação errônea ou a desinformação sobre essa religião [Cristianismo]. Por isso, hoje, em muitos países, os cristãos são vítimas de preconceitos, estereótipos e intolerâncias.
É uma ideologia racionalista e estimulada por poderosas instituições internacionais, como se pode constatar em uma breve consulta na internet. Algumas “fundações” no exterior destinam muitos recursos para esse fim.
Enfim, o laicismo que hoje vemos é o do Estado que caminha para se tornar um Estado com religião oficial e não um Estado laico: um Estado totalitário ateu, que quer eliminar Deus e a religião e que investe fortemente contra a liberdade religiosa. Um Estado cujo deus é o individualismo, o hedonismo, o prazer material e a “liberdade” para aprovar tudo que desejar, sem restrições morais.
No bojo do laicismo encontramos o que o nosso Papa Bento XVI tem chamado de “ditadura do relativismo”, que surge como uma consequência da “ditadura do racionalismo” ateu e materialista, e que elimina a verdade. Ora, a eliminação da verdade coloca o homem nas mãos do mais forte, do útil, da imoralidade.
Fala-se hoje falsamente em nome da laicidade, mas se pratica o laicismo para bloquear a vida e a atividade, especialmente da Igreja Católica, em sua realidade profunda e positiva.
Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Os sentimentos de Deus
Em Deus existe alegria e misericórdia
Nós esperamos porque não conhecemos o futuro. Não sabemos o que nos aguarda e abrimos espaço para a esperança. Deus, que está acima do tempo, sabe o futuro, mas tem esperança porque não quer realizar Seu plano de amor sem nosso consentimento. A liberdade humana explica a existência da esperança em Deus Pai. Ele aguarda com vísceras de misericórdia a resposta humana! O Senhor tem sentimentos!
Em Deus existe a alegria! Já superamos a imagem carrancuda, muitas vezes, posta diante de nossos olhos, como se o Senhor estivesse vigiando, a modo de guarda de trânsito, nossas eventuais faltas a serem castigadas! O Pai do Céu viu que tudo o que fez é bom! O Filho amado, Deus feito carne, abraça crianças, nos convida a ser como as flores do campo, chama ao descanso Seus discípulos, exulta de alegria! E entre os frutos do Espírito está a alegria!
As chamadas parábolas da misericórdia (cf. Lucas 15, 1-32) têm a alegria como fio condutor. “Alegrai-vos comigo, pois encontrei a minha ovelha perdida”, diz o pastor que é figura do Pai do Céu. “Alegrai-vos comigo, pois encontrei a moeda perdida”, diz a mulher que gastou mais com a festa do que o valor da própria moeda! Nela também se entrevê um Pai exagerado! E na história do filho pródigo, quem sabe retornando à casa mais por causa da fome do que pelo amor ao próprio Pai, Deus quase não sabe o que fazer, de tanta alegria! Festa, roupas de luxo, anel com o brasão da família, banquete: “Comamos e façamos festa, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi encontrado”.
Ninguém jamais viu a Deus, escreve São João para dar maior relevo à verdade segundo a qual o Filho unigênito, que está no seio do Pai, é que o deu a conhecer. A revelação manifesta Deus no insondável mistério do Seu Ser Uno e Trino, rodeado de luz inacessível. Mediante essa revelação de Cristo, conhecemos Deus, antes de mais nada na Sua relação de amor para com o homem: na sua “filantropia”. É aqui que as perfeições invisíveis do Senhor se tornam, de maneira particular, reconhecíveis, mais reconhecíveis do que por meio de todas as outras obras por Ele realizadas. Tornam-se visíveis em Cristo e por meio de Cristo, em Suas ações e palavras e, por fim, mediante a Sua morte na cruz e a Sua ressurreição. Deste modo, em Cristo e por Cristo, Deus com a Sua misericórdia se torna visível, põe-se em evidência o atributo da divindade, que já o Antigo Testamento tinha chamado "misericórdia". Cristo confere a toda a tradição do Antigo Testamento, quanto à misericórdia divina, sentido definitivo. Não somente fala dela e a explica com o uso de comparações e parábolas, mas, sobretudo, Ele próprio a encarna e personifica. Ele próprio é, em certo sentido, a misericórdia. Para quem a vê n'Ele e n'Ele a encontra, Deus se torna particularmente visível como Pai rico em misericórdia (Cf. João Paulo II, Encíclica Dives in misericordia n. 2).
O amor de misericórdia vem ao nosso encontro! Tudo o que se refere aos seres humanos não deixa Deus indiferente, mas ecoa em seu coração até provocar ansiedade, esperança, dor e alegria! Dá para ver que temos muito valor diante d'Ele! E mais ainda: o Altíssimo nos conhece por nome, ama com amor infinito a cada pessoa! O verdadeiro significado da misericórdia não consiste apenas no olhar, por mais penetrante e mais cheio de compaixão que seja, com que se encara o mal moral, físico ou material. A misericórdia se manifesta quando reavalia, promove e sabe tirar o bem de todas as formas de mal existentes no mundo e no homem. Constitui o conteúdo fundamental da mensagem de Jesus Cristo e a força da Sua missão. Desta mesma maneira, entendiam e praticavam a misericórdia os discípulos e seguidores de Cristo. A misericórdia nunca cessou de se manifestar nos corações e nas obras destes, como prova do amor, que não se deixa vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem. É preciso que o rosto genuíno da misericórdia seja sempre descoberto de maneira nova. Não obstante vários preconceitos, a misericórdia apresenta-se como particularmente necessária nos nossos tempos (Cf. Dives in misericordia 6).
Esperança, alegria, misericórdia, ao lado de tantos outros atributos que nos parecem tão humanos, se encontram no Céu! É que para sermos mais humanos, nosso olhar deve voltar-se para o alto, ao Deus de toda perfeição. E como o Céu desceu à terra, olhar para Jesus Cristo, Nosso Senhor e Salvador, é descobrir o modo melhor para ser gente!
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém - PA
Nós esperamos porque não conhecemos o futuro. Não sabemos o que nos aguarda e abrimos espaço para a esperança. Deus, que está acima do tempo, sabe o futuro, mas tem esperança porque não quer realizar Seu plano de amor sem nosso consentimento. A liberdade humana explica a existência da esperança em Deus Pai. Ele aguarda com vísceras de misericórdia a resposta humana! O Senhor tem sentimentos!
Em Deus existe a alegria! Já superamos a imagem carrancuda, muitas vezes, posta diante de nossos olhos, como se o Senhor estivesse vigiando, a modo de guarda de trânsito, nossas eventuais faltas a serem castigadas! O Pai do Céu viu que tudo o que fez é bom! O Filho amado, Deus feito carne, abraça crianças, nos convida a ser como as flores do campo, chama ao descanso Seus discípulos, exulta de alegria! E entre os frutos do Espírito está a alegria!
As chamadas parábolas da misericórdia (cf. Lucas 15, 1-32) têm a alegria como fio condutor. “Alegrai-vos comigo, pois encontrei a minha ovelha perdida”, diz o pastor que é figura do Pai do Céu. “Alegrai-vos comigo, pois encontrei a moeda perdida”, diz a mulher que gastou mais com a festa do que o valor da própria moeda! Nela também se entrevê um Pai exagerado! E na história do filho pródigo, quem sabe retornando à casa mais por causa da fome do que pelo amor ao próprio Pai, Deus quase não sabe o que fazer, de tanta alegria! Festa, roupas de luxo, anel com o brasão da família, banquete: “Comamos e façamos festa, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi encontrado”.
Ninguém jamais viu a Deus, escreve São João para dar maior relevo à verdade segundo a qual o Filho unigênito, que está no seio do Pai, é que o deu a conhecer. A revelação manifesta Deus no insondável mistério do Seu Ser Uno e Trino, rodeado de luz inacessível. Mediante essa revelação de Cristo, conhecemos Deus, antes de mais nada na Sua relação de amor para com o homem: na sua “filantropia”. É aqui que as perfeições invisíveis do Senhor se tornam, de maneira particular, reconhecíveis, mais reconhecíveis do que por meio de todas as outras obras por Ele realizadas. Tornam-se visíveis em Cristo e por meio de Cristo, em Suas ações e palavras e, por fim, mediante a Sua morte na cruz e a Sua ressurreição. Deste modo, em Cristo e por Cristo, Deus com a Sua misericórdia se torna visível, põe-se em evidência o atributo da divindade, que já o Antigo Testamento tinha chamado "misericórdia". Cristo confere a toda a tradição do Antigo Testamento, quanto à misericórdia divina, sentido definitivo. Não somente fala dela e a explica com o uso de comparações e parábolas, mas, sobretudo, Ele próprio a encarna e personifica. Ele próprio é, em certo sentido, a misericórdia. Para quem a vê n'Ele e n'Ele a encontra, Deus se torna particularmente visível como Pai rico em misericórdia (Cf. João Paulo II, Encíclica Dives in misericordia n. 2).
O amor de misericórdia vem ao nosso encontro! Tudo o que se refere aos seres humanos não deixa Deus indiferente, mas ecoa em seu coração até provocar ansiedade, esperança, dor e alegria! Dá para ver que temos muito valor diante d'Ele! E mais ainda: o Altíssimo nos conhece por nome, ama com amor infinito a cada pessoa! O verdadeiro significado da misericórdia não consiste apenas no olhar, por mais penetrante e mais cheio de compaixão que seja, com que se encara o mal moral, físico ou material. A misericórdia se manifesta quando reavalia, promove e sabe tirar o bem de todas as formas de mal existentes no mundo e no homem. Constitui o conteúdo fundamental da mensagem de Jesus Cristo e a força da Sua missão. Desta mesma maneira, entendiam e praticavam a misericórdia os discípulos e seguidores de Cristo. A misericórdia nunca cessou de se manifestar nos corações e nas obras destes, como prova do amor, que não se deixa vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem. É preciso que o rosto genuíno da misericórdia seja sempre descoberto de maneira nova. Não obstante vários preconceitos, a misericórdia apresenta-se como particularmente necessária nos nossos tempos (Cf. Dives in misericordia 6).
Esperança, alegria, misericórdia, ao lado de tantos outros atributos que nos parecem tão humanos, se encontram no Céu! É que para sermos mais humanos, nosso olhar deve voltar-se para o alto, ao Deus de toda perfeição. E como o Céu desceu à terra, olhar para Jesus Cristo, Nosso Senhor e Salvador, é descobrir o modo melhor para ser gente!
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém - PA
O mundo anseia por coisas grandes, enfatiza Bento XVI
Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande mais operários para a sua messe!”(Lc 10,2). Sob essa passagem bíblica, o Papa Bento XVI destacou, na Missa deste sábado, 5, o particular momento da história da humanidade, no qual os homens ao mesmo tempo que viram as cosas para Deus, anseiam por justiça, amor, paz, e também desejam que a pobreza e o sofrimento sejam superados, encontrando assim a felicidade.
“Todo esse anseio é presente no mundo de hoje, o anseio por aquilo que é grande, por aquilo que é bom. É a nostalgia do Redentor, de Deus mesmo, também ali onde Ele é negado”, ressaltou o Papa durante esta Missa de ordenação episcopal de cinco sacerdotes: o salesiano Savio Hon Tai-Fai, como Secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, Dom Marcello Bartolucci, Secretário da Congregação para as Causas dos Santos, Dom Celso Morga, Secretário da Congregação para o Clero, Dom Antonio Guido Filipazzi e Dom Edgar Peña Parra, núncios apostólicos.
E justamente neste momento histórico, Bento XVI salienta que se percebe que “são poucos os operários”. Mas ele lembra que esta não é uma questão de gestão, uma capacidade organizativa. Os operários só podem ser mandados por Deus. “Mas Ele os quer mandar por meio da porta da nossa oração. Nós podemos cooperar para a vinda dos operadores, mas podemos fazer somente cooperando com Deus”, explica.
Assim, trabalhar na messe de Deus significa levar aos homens a luz da verdade, libertá-los da pobreza de verdade, que é a real tristeza e real pobreza do homem, levando a eles a boa nova que não é somente uma palavra, mas um evento. “Deus, Ele mesmo, veio a nós. Ele nos pega pela mão, nos atrai para o alto, para si mesmo, e assim o coração partido é curado”, diz o Pontífice.
O Santo Padre salienta que a missão dos bispos, sacerdotes de Jesus Cristo, é ser operários na messa da história do mundo com a tarefa de curar, abrindo as portas para o culto a Deus, até que a vontade de Deus seja feita sobre a terra como no céu.
Unidade, comunhão e oração
Bento XVI recordou que o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, sugerido pelas comunidades cristãs de Jerusalém, foi um trecho dos Atos dos Apóstolos, no qual Lucas quer ilustrar de modo normativo quais são os elementos fundamentais da existência cristã na comunhão da Igreja de Jesus Cristo, no qual ele se expressa dizendo que “perseveraram eles nas doutrina dos apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações” (At 2,42).
O Papa explica que perseverar no ensinamento dos Apóstolos significa que a fé tem um conteúdo concreto. “Não é uma espiritualidade indeterminada, uma sensação indefinível para a transcendência. Deus agiu e Ele mesmo falou. Certamente, a fé é, em primeiro lugar, um confiar-se em Deus, um relacionamento vivo com Ele. Mas o Deus o qual nos confiamos tem um rosto e nos deu a sua Palavra. Podemos contar com a estabilidade da sua Palavra. É a base segura sob a qual podemos construir a nossa fé e a nossa vida”, enfatizou Bento XVI.
Sobre o mistério da comunhão, o Santo Padre ressalta para que os cristãos vivam a comunhão com o coração, dia após dia, e que este seja o centro mais profundo daquele momento sagrado, no qual Deus mesmo se doa na Eucaristia. “A santa Eucaristia é o centro da Igreja e deve ser o centro do nosso ser cristão e da nossa vida sacerdotal. O Ressuscitado entra no meu íntimo e quer nos transformar e nos fazer entrar numa profunda comunhão com Ele. Assim me abro a todos os outros; nós, os muitos, somos um só pão e um só corpo”, disse o Papa recordando as palavras de são Paulo (cfr 1Cor 10,17).
Desta forma, Bento XVI enfatiza a dedicação na celebração da Eucaristia, que ela seja feita com um fervor sempre mais profundo, e que os cristãos deixem, assim, serem moldados por ela.
“A oração, por um lado, deve ser muito pessoal, um unir-me no mais profundo a Deus. Deve ser minha luta com Ele, a minha busca por Ele, o meu agradecimento a Ele e a minha alegria nEle”, elucida o Papa. Mas, no entanto, Bento XVI enfatiza que esta não é nunca algo privado no próprio 'eu' individual. “Orar é essencialmente também um orar sempre em 'nós', filhos de Deus. Somente este 'nós' somos filhos do nosso Pai, como o Senhor nos ensinou a rezar. Somente este 'nós' nos abre ao Pai”, elucida.
De uma parte, ele lembra que a oração deve se tornar sempre pessoal, buscando tocar e penetrar sempre mais profundamente o núcleo do nosso 'eu'. Ele explica que neste nutrimento da comunhão entre os orantes, da unidade do Corpo de Cristo, realmente os cristãos começam a dar forma ao amor de Deus.
“Todo esse anseio é presente no mundo de hoje, o anseio por aquilo que é grande, por aquilo que é bom. É a nostalgia do Redentor, de Deus mesmo, também ali onde Ele é negado”, ressaltou o Papa durante esta Missa de ordenação episcopal de cinco sacerdotes: o salesiano Savio Hon Tai-Fai, como Secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, Dom Marcello Bartolucci, Secretário da Congregação para as Causas dos Santos, Dom Celso Morga, Secretário da Congregação para o Clero, Dom Antonio Guido Filipazzi e Dom Edgar Peña Parra, núncios apostólicos.
E justamente neste momento histórico, Bento XVI salienta que se percebe que “são poucos os operários”. Mas ele lembra que esta não é uma questão de gestão, uma capacidade organizativa. Os operários só podem ser mandados por Deus. “Mas Ele os quer mandar por meio da porta da nossa oração. Nós podemos cooperar para a vinda dos operadores, mas podemos fazer somente cooperando com Deus”, explica.
Assim, trabalhar na messe de Deus significa levar aos homens a luz da verdade, libertá-los da pobreza de verdade, que é a real tristeza e real pobreza do homem, levando a eles a boa nova que não é somente uma palavra, mas um evento. “Deus, Ele mesmo, veio a nós. Ele nos pega pela mão, nos atrai para o alto, para si mesmo, e assim o coração partido é curado”, diz o Pontífice.
O Santo Padre salienta que a missão dos bispos, sacerdotes de Jesus Cristo, é ser operários na messa da história do mundo com a tarefa de curar, abrindo as portas para o culto a Deus, até que a vontade de Deus seja feita sobre a terra como no céu.
Unidade, comunhão e oração
Bento XVI recordou que o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, sugerido pelas comunidades cristãs de Jerusalém, foi um trecho dos Atos dos Apóstolos, no qual Lucas quer ilustrar de modo normativo quais são os elementos fundamentais da existência cristã na comunhão da Igreja de Jesus Cristo, no qual ele se expressa dizendo que “perseveraram eles nas doutrina dos apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações” (At 2,42).
O Papa explica que perseverar no ensinamento dos Apóstolos significa que a fé tem um conteúdo concreto. “Não é uma espiritualidade indeterminada, uma sensação indefinível para a transcendência. Deus agiu e Ele mesmo falou. Certamente, a fé é, em primeiro lugar, um confiar-se em Deus, um relacionamento vivo com Ele. Mas o Deus o qual nos confiamos tem um rosto e nos deu a sua Palavra. Podemos contar com a estabilidade da sua Palavra. É a base segura sob a qual podemos construir a nossa fé e a nossa vida”, enfatizou Bento XVI.
Sobre o mistério da comunhão, o Santo Padre ressalta para que os cristãos vivam a comunhão com o coração, dia após dia, e que este seja o centro mais profundo daquele momento sagrado, no qual Deus mesmo se doa na Eucaristia. “A santa Eucaristia é o centro da Igreja e deve ser o centro do nosso ser cristão e da nossa vida sacerdotal. O Ressuscitado entra no meu íntimo e quer nos transformar e nos fazer entrar numa profunda comunhão com Ele. Assim me abro a todos os outros; nós, os muitos, somos um só pão e um só corpo”, disse o Papa recordando as palavras de são Paulo (cfr 1Cor 10,17).
Desta forma, Bento XVI enfatiza a dedicação na celebração da Eucaristia, que ela seja feita com um fervor sempre mais profundo, e que os cristãos deixem, assim, serem moldados por ela.
“A oração, por um lado, deve ser muito pessoal, um unir-me no mais profundo a Deus. Deve ser minha luta com Ele, a minha busca por Ele, o meu agradecimento a Ele e a minha alegria nEle”, elucida o Papa. Mas, no entanto, Bento XVI enfatiza que esta não é nunca algo privado no próprio 'eu' individual. “Orar é essencialmente também um orar sempre em 'nós', filhos de Deus. Somente este 'nós' somos filhos do nosso Pai, como o Senhor nos ensinou a rezar. Somente este 'nós' nos abre ao Pai”, elucida.
De uma parte, ele lembra que a oração deve se tornar sempre pessoal, buscando tocar e penetrar sempre mais profundamente o núcleo do nosso 'eu'. Ele explica que neste nutrimento da comunhão entre os orantes, da unidade do Corpo de Cristo, realmente os cristãos começam a dar forma ao amor de Deus.
TPM sim, e daí?
Muita gente acha que isso é manha de mulher
Identificar os sintomas é o primeiro passo para driblar os inconvenientes desse período. Um dia, você está feliz da vida e, de repente, uma besteirinha a leva a um colapso de nervos. Em seguida, uma fúria intensa... que só passa quando alguém conta um caso bobinho, e sem mais nem menos, você se desmancha em lágrimas, dignas do Oscar. O cabelo está terrível, parecendo palha, indomável... a pele, então, fica como de uma adolescente de novo, com várias espinhas, ou dá aquela manchadinha básica, sem contar que a calça que você vestia ontem parece que encolheu e custa para ser abotoada. Essa é a realidade mensal de boa parte das mulheres que sofrem de tensão pré-mestrual, mais conhecida como TPM, que provoca variadas modificações no organismo feminino e pode causar muitos transtornos se não tomarmos os devidos cuidados.
Muita gente acha que isso é manha de mulher, que é fingimento, porém, a literatura científica já comprovou que é fato: antes da menstruação, há alterações físicas, psíquicas e sociais que comprometem os relacionamentos e afetam a produtividade da mulher em sua família, escola e trabalho.
E você pode estar se perguntando o que esse tema está fazendo nesta coluna da Canção Nova. Bem, eu respondo: muitas mulheres se martirizam e se culpam por sentirem os sintomas da TPM e não se permitem ser humanas, ou então, ignoram os sintomas como se eles não existissem – e muitas vezes, não compreendem por que tomaram esta ou aquela decisão com tanta raiva, ou por que gritaram com aquela pessoa, ou ainda, por que estão chorando em pleno horário de trabalho. Admitamos, somos mulheres, temos a nossa biologia, e não adianta fingir que nada está acontecendo. É preciso monitorar o nosso ciclo menstrual para estarmos atentas a esses sintomas e minimizá-los. Afinal, "como é bom, como é agradável para irmãos unidos viverem juntos" (Sal 132, 1). E uma alteração biológica natural não deve ter o poder de desarmonizar a nossa convivência com os outros.
A tensão pré-menstrual aparece uma semana antes da menstruação, mas o ápice dela acontece um ou dois dias antes do primeiro dia do ciclo. Os sintomas nem sempre são os mesmos e a intensidade deles também varia, por isso toda mulher deve conhecer seu ciclo e marcar os prováveis dias de TPM no calendário. Assim, você tenta driblar as situações de estresse nesses dias, bem como se programa para tomar decisões fora desse período. E não é vergonha nenhuma você avisar às pessoas que não está no seu melhor dia. Afinal, ninguém é obrigado a adivinhar que não poderá brincar com você nesse período, porque estará uma pilha de nervos; e no seu trabalho, por exemplo, ficar chorando pelos cantos pode danificar a sua imagem; além do mais, uma decisão impensada pode render muita confusão depois. Lembre: não é possível que o mundo pare até que a sua TPM passe.
E os nossos companheiros na criação de Deus, os homens, precisam ser alertados sobre isso também. A rapaziada precisa ter paciência redobrada com suas esposas, noivas, namoradas, mães, filhas, irmãs e amigas nesse período. Deus nos fez como uma "ajuda adequada" a eles, então será bem bacana se compreenderem que, em alguns momentos, precisam se adequar às nossas limitações para uma boa convivência (cf. Gn 2, 7-18ss).
Ah, e cabe lembrar também que a TPM não é totalmente ruim, pois em algumas mulheres esse período traz novidades bacanas, como ideias mais criativas, melhor desempenho no trabalho, mais sensação de bem-estar. Enfim, independentemente dos sintomas, é importante que você conheça seu corpo para não ficar refém de suas alterações, de forma a viver em sociedade de forma sadia e feliz.
Mariella Silva de Oliveira
mariellajornalista@gmail.com
Identificar os sintomas é o primeiro passo para driblar os inconvenientes desse período. Um dia, você está feliz da vida e, de repente, uma besteirinha a leva a um colapso de nervos. Em seguida, uma fúria intensa... que só passa quando alguém conta um caso bobinho, e sem mais nem menos, você se desmancha em lágrimas, dignas do Oscar. O cabelo está terrível, parecendo palha, indomável... a pele, então, fica como de uma adolescente de novo, com várias espinhas, ou dá aquela manchadinha básica, sem contar que a calça que você vestia ontem parece que encolheu e custa para ser abotoada. Essa é a realidade mensal de boa parte das mulheres que sofrem de tensão pré-mestrual, mais conhecida como TPM, que provoca variadas modificações no organismo feminino e pode causar muitos transtornos se não tomarmos os devidos cuidados.
Muita gente acha que isso é manha de mulher, que é fingimento, porém, a literatura científica já comprovou que é fato: antes da menstruação, há alterações físicas, psíquicas e sociais que comprometem os relacionamentos e afetam a produtividade da mulher em sua família, escola e trabalho.
E você pode estar se perguntando o que esse tema está fazendo nesta coluna da Canção Nova. Bem, eu respondo: muitas mulheres se martirizam e se culpam por sentirem os sintomas da TPM e não se permitem ser humanas, ou então, ignoram os sintomas como se eles não existissem – e muitas vezes, não compreendem por que tomaram esta ou aquela decisão com tanta raiva, ou por que gritaram com aquela pessoa, ou ainda, por que estão chorando em pleno horário de trabalho. Admitamos, somos mulheres, temos a nossa biologia, e não adianta fingir que nada está acontecendo. É preciso monitorar o nosso ciclo menstrual para estarmos atentas a esses sintomas e minimizá-los. Afinal, "como é bom, como é agradável para irmãos unidos viverem juntos" (Sal 132, 1). E uma alteração biológica natural não deve ter o poder de desarmonizar a nossa convivência com os outros.
A tensão pré-menstrual aparece uma semana antes da menstruação, mas o ápice dela acontece um ou dois dias antes do primeiro dia do ciclo. Os sintomas nem sempre são os mesmos e a intensidade deles também varia, por isso toda mulher deve conhecer seu ciclo e marcar os prováveis dias de TPM no calendário. Assim, você tenta driblar as situações de estresse nesses dias, bem como se programa para tomar decisões fora desse período. E não é vergonha nenhuma você avisar às pessoas que não está no seu melhor dia. Afinal, ninguém é obrigado a adivinhar que não poderá brincar com você nesse período, porque estará uma pilha de nervos; e no seu trabalho, por exemplo, ficar chorando pelos cantos pode danificar a sua imagem; além do mais, uma decisão impensada pode render muita confusão depois. Lembre: não é possível que o mundo pare até que a sua TPM passe.
E os nossos companheiros na criação de Deus, os homens, precisam ser alertados sobre isso também. A rapaziada precisa ter paciência redobrada com suas esposas, noivas, namoradas, mães, filhas, irmãs e amigas nesse período. Deus nos fez como uma "ajuda adequada" a eles, então será bem bacana se compreenderem que, em alguns momentos, precisam se adequar às nossas limitações para uma boa convivência (cf. Gn 2, 7-18ss).
Ah, e cabe lembrar também que a TPM não é totalmente ruim, pois em algumas mulheres esse período traz novidades bacanas, como ideias mais criativas, melhor desempenho no trabalho, mais sensação de bem-estar. Enfim, independentemente dos sintomas, é importante que você conheça seu corpo para não ficar refém de suas alterações, de forma a viver em sociedade de forma sadia e feliz.
Mariella Silva de Oliveira
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